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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dois meses sem meu maior amor, minha vida, meu anjo, meu nego


E lá se foram dois meses...parece uma eternidade, mas ao mesmo tempo parece que foi ontem que te vi pela última vez. Parece muito tempo, pois para quem não estava acostumada a passar um dia sequer sem você, dois meses é realmente muito, muito tempo. Mas parece que foi ontem porque me lembro com detalhes de como tudo aconteceu. Há momentos em que parece que tudo não passa de um pesadelo, e vou acordar e você ainda estará ao nosso lado, e vou ouvir sua voz, ver seu lindo rostinho, te abraçar, preparar suas refeições, te levar para a escola que você tanto gostava...
   Na verdade filha, o mundo sem você ficou sem cor. É incrível como passar pelos lugares é diferente sem você. É dolorido pra quem perdeu um filho encarar a vida, passamos a olhar tudo à nossa volta com outros olhos. Olhos de que conhece a dor de perto, ou melhor, de dentro mesmo. Um dia de sol não tem a mesma luz, uma festa não tem mais a mesma alegria, um passeio não tem mais aquela empolgação. O tempo e as circunstâncias nos empurram para frente e nos levam a continuar a vida, e até fazemos coisas que achávamos que não conseguiríamos fazer nunca mais, mas não é uma vida normal, não mesmo. Falta você, com sua alegria, seu sorriso, seu abraço, seu amor. Nada jamais será como antes. Sei que tenho que continuar, tentar viver da melhor maneira possível. Mas a verdade é que o que mais anseio é pelo dia do nosso reencontro, e tenho certeza que Deus está preparando algo maravilhoso para este momento. Te amo filha, para toda a eternidade.

Fonte: http://wwwamoresaudade.blogspot.com.br/2013/02/tres-anos-sem-meu-maior-amor-minha-vida.html

Morte… e a dor da perda


Morte. A palavra, por si só, já carrega um peso. É a única certeza que temos na vida, a de que todos morreremos um dia. Mas é difícil se preparar para perder alguém. Algumas almas elevadas conseguem lidar bem com as perdas, mas acredito que a grande maioria das pessoas não está pronta para ver arrancado de sua vida alguém que ama. A gente sente uma saudade diferente. É uma saudade amarrada pela certeza de que nunca vai passar. É uma saudade que vai ser eterna. A gente apenas se acostuma a conviver com a ausência, mas não esquecemos, não deixamos de sentir falta… as memórias permanecem, o peito aperta em cada lembrança, e só o tempo mesmo para acalmar o coração…

A compreensão da morte vai depender da crença religiosa de cada um. Cada um interpreta o ato de morrer de uma forma diferente. Para alguns, voltaremos em uma nova encarnação; para outros, ali acaba a vida…. Teorias não faltam para tentar explicar a morte… Mas o fato é que é difícil perder alguém. Para mim, pelo menos. Um vazio parece invadir nosso peito, a sensação de que você não está vivendo aquilo, uma vontade de que seja tudo um sonho, um desespero que a gente não consegue explicar… O descontrole inicial passa, e você cai na real: a pessoa já não está em sua vida, não daquele jeito a que você estava acostumado.

Aquela rotina que vocês cumpriam já não existe. Você sempre espera a pessoa chegar naquela hora de costume, mas ninguém bate à porta… No horário do telefonema, ele simplesmente não toca… Ouvir a voz dando bom-dia, ouvir a voz falando qualquer coisa… As fotos trazem lágrimas, você pensa que podia ter feito tanta coisa mais, pensa que podia ter falado tanto mais, pensa que podia ter feito algo diferente, ainda que não tenha feito nada de errado… Enfrentar a morte é um processo que exige tempo para que consigamos lidar melhor com a situação, com a ausência em si… Eu perdi alguém. E eu nunca havia pensado no quanto dói perder alguém.

Mas a vida segue seu rumo, impiedosa. Os dias continuam passando a cada 24h e o resto de sua vida caminha a passos largos, ainda que você precise dar um tempo de tudo. Só que hoje, não temos tempo nem para o luto. Não que ninguém deva se entregar à dor e lá ficar. Não é isso… A questão é que é impossível exigir que funcionemos como se nada tivesse acontecido. É impossível desvincular o emocional das nossas rotinas diárias. Mas a nossa sociedade apressada não quer saber disso. Não temos mais tempo para chorar. Ou então choraremos a caminho de algum lugar, ou enquanto executamos alguma atividade…

A fase de luto não é fácil. Dói, machuca… nossas lembranças se viram contra nós, porque trazem à tona as imagens que gostaríamos de esquecer. O mundo não para, os segundos correm, o tempo passa… Sinto falta de termos mais tempo pra gente. Sinto falta de termos tempo pra ficar em casa vendo sessão da tarde e comendo pipoca… Porque um dia nós é que vamos morrer… e a perda me fez pensar no quanto é importante se preocupar com o que você anda fazendo da sua vida… Eu queria poder ter mais tempo pra chorar, mas ela, "Talitha", tenho certeza de que só ficará feliz quando me vir rindo, lá de cima… Ela sempre ficava feliz quando eu estava bem.

As lágrimas ainda caem, mas o riso já estampa meu rosto, em homenagem a ela, que passava a vida a sorrir… Um dia seremos cada um de nós, deixando esse mundo. Mas enquanto eu tiver nele, escolhi que vou fazer o melhor pra ser feliz e viver. Viver mesmo, dedicando tempo àquilo que me dá prazer, a sentar com meus amigos, a ficar deitada vendo filme… Toda perda nos faz refletir…. Eu quero aproveitar cada momento que eu posso ter ao lado das pessoas que amo. Quero aproveitar cada segundo ao lado delas… Chorarei pela perda de cada um que amo, mas farei brilhar no rosto um riso, por ter podido compartilhar tudo o que foi possível enquanto estavam ao meu lado.


(Publicado em 25/04/2009 por Alane Virgínia)
Fonte: https://conversademenina.wordpress.com/2009/04/25/morte-e-a-dor-da-perda/