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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Não sei porque você se foi...


Quaisquer que sejam as causas que levam à morte de nossos filhos, jamais aceitamos a perda. Não importa se lentamente ou de forma fulminante, a morte tira de nós entes queridos, e, se filhos, pedaços de nossos corpos, partes de nossas vidas. Se o futuro para nós já é uma incógnita, perder um filho, que para os pais representam a continuidade de suas riquezas genéticas, como bem pontuou Darwin, significa bloquear em nós a visão de futuro.

Contudo, A perda repentina, nos deixa uma sensação de impotência. O que torna mais difícil a aceitação da morte como uma fatalidade, ao invés de vê-la como parte do ciclo de vida. Isso se agrava quando pais se debruçam sobre o corpo sem vida de sua filha. Assim, seguimos nosso caminho, reformulando nossa rotina e deixando na lembrança, alegres momentos de uma criança que parecia sentir que seu tempo era curto, porque procurou viver intensamente, fazendo questão de marcar sua presença de maneira impositiva em nossa vidas.
Até breve, minha filha. Aguarde-me na eternidade, pois aqui em vida a terei sempre em cada momento que me resta.

Texto extraído do livro Depois que você partiu - Crônicas - De Romualdo Pessoa, em homenagem a sua filha Carol.

domingo, 18 de setembro de 2016

Vida eu vou te amar


Por todos os anos que a minha vida se prolongar carregarei esse amor dentro do peito e a sua imagem bem viva na sua memória. Não posso negar que meu coração será, por isso, para sempre amargurado. Claro, gostaria de tê-la em vida. E assim, cada vez que lembrar-me dela, de sua meiguice, do seu carinho, de uma frase que jamais deixarei de ouvir e que era como uma senha para um beijo a seguir - "oi, pai!: - meu coração  não poderá sentir alegria. Talvez eu consiga exprimir outro sentimento, resignação. Mas do fundo do meu coração, além do amor que terei por ela pelo resto de minha vida, ficará represado um sentimento expresso em uma das músicas mais belas que conheço, de autoria de Paulinho da Viola: "solidão, palavra cavada no coração, resignado e mudo no compasso da desilusão...". (Romualdo Pessoa)

Saudades


Saudades

Saudades da menina
que chegava colocando ordem na casa.
Saudade daquela menina doce, meiga "brava"
que nos beijava meio tímida, que enchia a casa de alegria.
Saudade de "um tempo que já passou",
de uma infância tão linda!
Queria matar esta saudade
de alguém que se fez tão presente.
Saudade, que "só o tempo ajuda a viver"...
Será que deveríamos sentir saudade
de alguém que se fazia tão presente?
Saudade que significa
"estar agarrado a um determinado tempo que se foi".
Saudade que significa sofrimento.
Entretanto, se pensarmos em alguém que nos sensibilizou
então, podemos dizer que "ela está viva".
Viva e presente em todos nós,
e que jamais morrerá.
Não podendo ser mais lembrada com saudade,
pois está sempre presente, jamais tendo partido de dentro de nós.
(Cláudia Rassi)

(Romualdo Pessoa)